PT / EN

Apresentação

Numa parceria inédita em Portugal entre uma empresa privada, a Everything is New, e o Estado Português, através da Direção-Geral do Património Cultural, o Palácio Nacional da Ajuda vai receber, entre os dias 23 de Março e 25 de Agosto, a maior exposição individual de Joana Vasconcelos.

A obra de Joana Vasconcelos assume uma singular capacidade de dialogar com o espaço e jogar com os diferentes tempos. Passado, presente e futuro manifestam-se com substrato único nas obras da artista e ampliam os níveis de significação quando interagem com o espaço, particularmente quando os lugares encerram uma memória densa e qualidades plásticas e arquitetónicas ricas.

Joana Vasconcelos já provou que o espaço é também ele parte integrante do seu trabalho; por isso, quando se cruzam, obra e lugar, conhecem diferentes matizes. Se a obra recebe um suplemento de significação com a presença no espaço, também é verdade que retribui com generosidade, enriquecendo o lugar com conceitos transgressores da moldura cristalizada do quotidiano, resultado das engenhosas operações de deslocação que servem o trabalho de Vasconcelos.

Esta particular e feliz relação entre o lugar e a obra já conheceu diferentes abordagens. As obras da artista foram expostas em lugares tão diversos como o Palácio de Versalhes; o Palazzo Grassi, em Veneza; o Castelo de Santa Maria da Feira; a Torre de Belém, em Lisboa; a Ponte D. Luís, no Porto; a Pinacoteca do Estado, em São Paulo; o Museu Coleção Berardo, em Lisboa; a entrada do antigo Arsenale, em Veneza; ou a discoteca Lux, em Lisboa; espaços com memórias, arquiteturas e públicos muito diferenciados, não deixando, ainda assim, de produzir resultados surpreendentes e uma receptividade notável.

A exposição proposta para o Palácio Nacional da Ajuda, comissariada por Miguel Amado, constitui uma oportunidade única para dar a conhecer uma nova dimensão do palácio e do trabalho de Joana Vasconcelos. O ambicioso núcleo de obras, criteriosamente selecionado para a exposição – 38 obras -, traduz sensivelmente a última década de trabalho da artista, reunindo peças icónicas, como A Noiva, Coração Independente Vermelho, Marilyn, ou Jardim do Éden e outras mais recentes, nunca expostas em Portugal, como Lilicoptère, Perruque, A Todo o Vapor, ou War Games.

Convocar este núcleo forte do trabalho da artista para contracenar com a singularidade dos interiores da Ajuda, onde se destacam a minúcia do trabalho artesanal, a riqueza dos têxteis, e a presença do naturalismo significa dar vida e sentido contemporâneo a um lugar que também no passado convocou artistas para dialogarem e habitarem o espaço através da arte. Sedutora, exuberante, bem-humorada e irreverente, a exposição de Joana Vasconcelos no Palácio Nacional da Ajuda promete ganhar e oferecer novos significados, afirmando-se como o antídoto que desperta os sentidos e desafia as rotinas programadas do quotidiano.